Muse - The Resistance

É um problema que Matthew Bellamy queira ser Freddie Mercury e Brian May ao mesmo tempo? Guardadas as devidas proporções de êxito, não necessariamente: e o Muse acerta o alvo muitas vezes nesse disco seguindo essa pretenciosa empreitada. Outras vezes, nem tanto, em especial no final do disco, quando eles encarnam o Pink Floyd do “disco da vaca” e se concentram em suítes ao piano meio sonolentas.
Em se tratando de um disco do Muse, a pergunta nunca é se o disco é bom ou não – porque é óbvio que é bom – mas se é um tão bom Muse desde Absolution – onde temática e sonoridade se tornam coesas mais do que nos álbuns anteriores, e a fúria que vem desde o primeiro disco não se perde em meio as veleidades progressivas de Bellamy. É disso que eu, saudoso, sinto falta neste ultimo excelente álbum. É impossível querer de volta a fúria e a angustia do segundo álbum, Origin of Simmetry – meu favorito deles, merecedor de um post futuro. Mas a turma de Matt, ao contrário do que faz no bem medido Black Holes and Revelations na relação peso/melodia (onde a ponderação é feita milimetricamente), nesse Muse está lírica e domada demais. Ser Freddie Mercury e Brian May, realmente, tem o seu preço, e o preço é caro.






